Resumo da doutrina espírita – Capítulo V – a prece

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Albrecht Dürer – “Betende Hände” (Mãos Orantes) – cerca de 1508

Albrecht Dürer – “Betende Hände” (Mãos Orantes) – cerca de 1508

A prece – pequeno guia pessoal

As parágrafos abaixo fazem parte de um ficheiro PDF deste pequeno guia pessoal que pode ser descarregado pelos leitores (ver ao fundo) e no qual estão inseridos, além de uma Parte prática, alguns textos para consulta que fundamentam o mesmo, colhidos em: “O Livro dos Espíritos”, “O Evangelho segundo o Espiritismo” e “O Livro dos Médiuns”:
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A prece merece dedicação
Orar em boa companhia
O Anjo Guardião, guia principal
Os Anjos Protetores, guias secundários
Cuidados com os simpáticos e sedutores
Nunca estamos sozinhos
Chamar espíritos amigos para orar connosco
O exemplo de Gabriel Delanne
Parte prática
Textos para consulta

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Glória a Deus nas alturas e Paz no Céu e na Terra a todas as criaturas

Este pequeno guia, que concebi para meu uso, foi sendo aperfeiçoado com o tempo. Resolvi por isso publicá-lo com a respectiva fundamentação doutrinária.
Em breve efectuarei a sua revisão formal e de conteúdo, de que está necessitado, pelo que anuncio desde já, “sine die”, uma segunda edição.
Nada pretende acrescentar a tudo de bom que foi escrito ou dito a respeito da prece. É uma forma simples que utilizo para organizar o pensamento na altura de conversar com Deus, sem esquecer os princípios doutrinários essenciais.
Pode ser usado por outras pessoas com inteira liberdade, conforme a sensibilidade de cada um e depois das adaptações que julgarem necessárias. Cada pessoa deve construir o seu “guia” ou o “manual” de que mais goste.
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A prece merece dedicação pelos resultados que oferece

Quem se habitua a “conversar com Deus” não pode passar sem fazê-lo, cada vez com mais zelo, utilidade e satisfação espiritual. A prece é apoio firme e instrumento de elevação dos níveis de espiritualidade. Serve para nos ajudarmos, para ajudarmos terceiros e para derramar luz sobre todos os destinatários da nossa atenção, no respeito pela Lei da Adoração, pelos fenómenos de causa e efeito e das afinidades.
A fonte prodigiosa de onde jorram os benefícios da prece é imutável e renova-se sem cessar.
Não se deve cair na tentação de pensar que as contrapartidas e benefícios são automáticos e estão dispensados do merecimento de quem é auxiliado. Os espíritas, porque conhecem pormenorizadamente o teor das Leis Naturais, têm a coragem de afirmar convictamente a infinita misericórdia de Deus, dependente da justiça integral que está contida na ordem geral da Criação.
Façamos com toda a fé as nossas preces, certos de que satisfazem a finalidade com que as fazemos, sem esquecer o efeito reflexo para aquele que as faz e que os resultados proveitosos dependem sempre do merecimento de quem beneficia.

A vantagem de orar em boa companhia

Sendo a vida uma corrida contra o tempo e – tantas vezes – contra as adversidades, é bom ter a consciência deste recurso, usá-lo com assiduidade porque, ao contrário de outros, quanto mais se usa, mais abundante se torna.
Há que procurar o apoio das entidades que sempre nos acompanham e amplificam a vontade e a intenção com que são ditas as nossas preces:
os nossos Anjos da Guarda, os nossos Anjos Protetores e os de todas as pessoas e entidades espirituais com quem nos coligarmos, em favor de quem oramos. Façamos deles nossos interlocutores em todas as diligências da prece.
Não se trata aqui de fazer uma evocação desses Espíritos e muito menos procurar despropositadamente distraí-los da sua boa paz onde quer que se encontrem.
Os votos que formulamos são apenas uma manifestação de afecto, sem qualquer propósito obsessivo ou possessivo.
Os nossos Anjos, os Espíritos de todos os que amámos ou estimámos são mencionadas pela teoria doutrinária mas a sua importância operacional é pouco referida. Será uma conquista e um alargamento da consciência moral constituí-los como “aliados de diligências celestes”, de que todos beneficiam.

O nosso Anjo da Guarda guia principal e superior

Atendendo à hierarquia de elevação espiritual, o Anjo da Guarda ocupa uma posição mais destacada. Vejamos o que nos diz o Evangelho Segundo o Espiritismo capítulo XXVIII, nº 11:

“…Desempenha, junto de nós, a missão de um pai para com seu filho: a de nos conduzir pelo caminho do bem e do progresso, através das provações da vida. Sente-se feliz, quando correspondemos à sua solicitude; sofre, quando nos vê sucumbir. Seu nome pouco importa, pois bem pode dar-se que não tenha nome conhecido na Terra. Invocamo-lo, então, como nosso ANJO DA GUARDA, nosso bom génio. Podemos mesmo invocá-lo sob o nome de qualquer Espírito superior, que mais viva e particular simpatia nos inspire…”

Já vemos portanto a elevadíssima importância que tem e o quanto pode ajudar-nos e ensinar-nos. É o nosso Guia atentíssimo, a nossa Bússola e Dínamo impulsionador que pode aproximar todas as entidades que invocarmos.
O interesse que votamos àqueles por quem oramos fica por isso muito valorizado. A sua presença junto de nós quando orarmos é imprescindível.

Anjo da Guarda: há pessoas, levadas por belíssimos intuitos de pureza doutrinária, rejeitam o termo Anjo da Guarda, porque Allan Kardec usou a expressão Ange Gardien, que os tradutores para o português – levados pela tendência fácil da “tradução à letra” – traduzem por Anjo Guardião.
Tenho utilizado nos últimos tempos nas minhas traduções sempre a expressão Anjo da Guarda (e coloco as letras maiúsculas) por dois motivos:
Fui desenvolvendo com os anos uma intimidade magnífica com o meu Anjo da Guarda e é sempre assim que o trato, facto que me fornece uma imensa satisfação moral, um sentimento de valiosa proximidade espiritual, já para não falar nos benefícios e graças muito objectivos e concretos que sinto muito solidamente ter recebido.
Por outro lado, português de nascença, foi assim que a minha querida Mãe me ensinou a tratá-lo, e qualquer outra designação me parece estranha!...
No pequeno guia da prece que aqui anuncio, esse detalhe ainda não está cuidado. Vou ter de ser breve na preparação da segunda edição!…

Atenção aos Anjos protectores, guias secundários

Um pouco mais perto na escala dos apoios encontram-se os nossos “Espíritos Protectores”. Leiamos ainda o mesmo texto:

“…Além do Anjo da Guarda, que é sempre um Espírito superior, temos Espíritos protectores que, embora menos elevados, não são menos bons e magnânimos.
Contamo-los entre amigos, ou parentes ou até entre pessoas que não conhecemos na existência actual. Assistem-nos com seus conselhos e, não raro, intervindo nos actos da nossa vida.
Também é muito importante o que é dito a respeito dos Anjos da Guarda, dos Espíritos Protectores, simpáticos e sedutores, sendo necessário distinguir entre as suas características respectivas.”
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Cuidados a ter com os Anjos simpáticos e com os Anjos sedutores

“…Espíritos simpáticos são os que se nos ligam por uma certa analogia de gostos e pendores. Podem ser bons ou maus, conforme a natureza das inclinações nossas que os atraiam.
Os Espíritos sedutores esforçam-se por nos afastar das veredas do bem, sugerindo-nos maus pensamentos.
Aproveitam-se de todas as nossas fraquezas, como de outras tantas portas abertas, que lhes facultam acesso à nossa alma. Alguns há que se nos aferram, como a uma presa, mas que se afastam, em se reconhecendo impotentes para lutar contra a nossa vontade.
Os Espíritos maus acorrem voluntariamente, desde que achem meio de assumir predomínio sobre nós, ou pela nossa fraqueza, ou pela negligência que ponhamos em seguir as inspirações dos bons Espíritos. Somos nós, portanto, que os atraímos…”

Nos “Textos para Consulta” encontra-se inserido, completo, o referido texto do “Evangelho Segundo o Espiritismo”.

Nós nunca estamos sozinhos

É muito importante saber que jamais estamos sozinhos e que, oferecendo permanentemente sugestões intuitivas à nossa consciência moral, todas as entidades benfazejas possuem recursos de alcance e operacionalidade que o mundo espiritual facilita. Elas encontram-se sempre junto de nós com afecto e dedicação nos casos mais distintos e positivos.
As influências menos benéficas e até negativas provêm dos já mencionados espíritos mais propensos à negatividade. Mas isso depende sempre da abertura que queiramos oferecer-lhes.
Cuidado pois com a conservação de disposições positivas, moralizadoras e de boa vontade. A causa e efeito e as afinidades, se isso for feito, defender-nos-ão de inconvenientes de todo o tipo.
Quanto à capacidade e ao alcance dos Anjos da Guarda e dos Espíritos protectores já sabemos, por muitos estudos que a ciência espírita tem efectuado e pelo contributo de outros importantes domínios de investigação, que o mundo espiritual é um universo distinto do mundo material onde não vigoram as contingências limitativas do espaço e do tempo e onde as vibrações sensíveis entre espíritos constroem uma formidável teia de ligações, difícil de imaginar com base na condição em que nos encontramos.
O blogue que é irmão deste (acesso na coluna do lado direito, em cima) está a fazer um trabalho de aproximação a esses “outros domínios de investigação” que oportunamente publicará, da mesma forma que já publicou o livro que podeis descarregar aqui: “Experiências de Quase-Morte + Espiritismo”.
Será interessante reter, de acordo com o citado texto de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que:

“…jamais nos encontramos privados da assistência dos bons Espíritos e que de nós depende o afastamento dos maus. Sendo, por suas imperfeições, a causa primária das misérias que o afligem, o homem é, as mais das vezes, o seu próprio génio mau.
A prece aos Anjos da Guarda e aos Espíritos protectores deve ter por objecto solicitar-lhes a intercessão junto de Deus, pedir-lhes a força de resistir às más sugestões e que nos assistam nas contingências da vida…”
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Chamar espíritos amigos para orar connosco; invocações e evocações

Sabemos que não se devem fazer evocações de espíritos sem ser por motivo justificado e em lugar próprio. A invocação afectiva e espiritualizada do nosso Anjo da Guarda e dos nossos muitos Espíritos protectores, no momento de fazermos as nossas preces tem, entretanto, pleno cabimento, e podemos exercitá-la para nos aproximarmos cada vez mais das inspirações que vêm do Alto e para melhor participar da vaga de ensinamentos que de lá nos são prodigalizados.
A nossa coligação sensitiva com essas entidades tem como propósito melhorar a concentração de volições positivas.
Em “O Livro dos Médiuns” o termo “evocação” tem um número muito vasto de referências e menções explicativas, situando-se predominantemente o seu uso na área do trabalho mediúnico que, pela sua especificidade, requer precauções metodológicas sérias.
A ideia da evocação aparece também referida, no entanto, à circunstância da prece, sendo muito raras em toda a extensão do mesmo livro a referência à palavra “invocação”, que tem uso menos específico.

O exemplo de Gabriel Delanne

Na biografia do eminente investigador espírita Gabriel Delanne publicada neste blogue em: GABRIEL DELANNE – Vida e Obra de um fundamental seguidor de ALLAN KARDEC, encontramos em certo ponto o seguinte:

“…Como nos confirmou sua filha adoptiva, Suzanne, Gabriel Delanne, sem ser um místico no sentido absoluto da palavra, acreditava em Deus.
Todos os dias, antes de dormir, orava, jamais pedindo para não sofrer mais; apenas suplicava coragem necessária para suportar, sem se lamentar, as suas constantes dores.
Cada noite, enumerava uma longa lista de seus parentes e amigos desaparecidos, pedindo para eles a ajuda de seus protectores invisíveis…”
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Orar de mãos dadas com os nossos irmãos

Há muito tempo já que sigo aquele modelo de “invocação afectiva”, acrescentando a meu gosto a imagem de um vasto grupo de pessoas a quem me dirijo fraternalmente, pedindo que, de mãos dadas, façamos em conjunto as mesmas preces, proferindo os mesmos votos e reunindo numa só vontade os mesmos propósitos.
A atitude acima, entretanto, situa-se apenas no domínio da invocação afectiva de aproximação espiritual que procura a fraternidade cooperante das almas e não no sentido de uma convocatória mediúnica.

Prece ao alvorecer – Alphonse-Étienne Dinet (1861-1929)


Prece ao alvorecer – Alphonse-Étienne Dinet (1861-1929)

Glória a Deus nas alturas e Paz no Céu e na Terra a todas as criaturas

.Os parágrafos acima fazem parte de um ficheiro PDF deste pequeno guia pessoal que pode ser descarregado pelos leitores, e no qual estão inseridos, além de uma Parte prática alguns textos para consulta que fundamentam o mesmo guia e que foram colhidos em: “O Livro dos Espíritos”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e “O Livro dos Médiuns”.

A prece – pequeno guia pessoal

para aceder ao PDF é favor clicar no título

rasen

Dürer – Das große Rasenstück (O tufo de erva) – 1503

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